Uma vida desenhando e pintando – Pt. 1

Oi, tudo bem com você? Espero que sim! :)

Eu gosto muito de ver posts com retrospectivas dos artistas, mas nunca tinha me ocorrido a possibilidade de fazer um até uma conversa que tive por esses dias com a amiga Bia Reys. (Obrigada, flor!)

Fiquei tão empolgada com a ideia que logo comecei a estruturar o texto e cá estou pra contar e mostrar um pouco da minha história! :)  O texto estava ficando beeem longo, então decidi dividi-lo em dois posts

Normalmente (e eu acho isso muito legal), esses posts são muito ilustrados e focam principalmente em mostrar uma evolução do trabalho do artista. Só que comecei a pensar e lembrar muitas coisas da minha infância e achei que seria legal deixar registradas minhas memórias dessa fase… :) O único problema é que eu ainda não encontrei nenhum dos meus desenhos mais remotos (nem tenho certeza se ainda tem algum deles por aqui). :/ Então será principalmente contando sobre minha relação com desenho/pintura entre a infância e adolescência e sem tantos desenhos realmente antigos meus. </3

Pra mim, sinceramente, também é difícil falar numa evolução propriamente dita do meu trabalho, exceto nos últimos anos. Isso porque, embora eu sempre tenha gostado de desenhar, durante a maior parte da minha vida não fui uma desenhista de disciplina e nem pensava nisso como um trabalho, e era mais uma pessoa que gostava de brincar com lápis e canetas e experimentar fazer arte. De certa forma, posso falar fases das minhas experimentações, que podem ser relacionadas às fases da minha vida, mas qualitativamente, minha produção foi muito irregular. :P

Vamos aproveitar pra falar sobre talento?

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…e não é só pra desenhar. (Cartão com caligrafia de Fábio Maca, parte do livro da Rafa Cappai)

Vejo muitos artistas e ilustradores falando que para desenhar (ou fazer outro tipo de arte) bem não é uma questão de talento, mas sim de muita prática e trabalho. Alguns ficam até ofendidos de ser chamadas de talentosos, pois acham que isso desmerece todo seu esforço!

Pessoalmente, acredito que existe talento (que penso ser uma tendência de determinadas pessoas para fluir com mais facilidade em determinadas atividades – provavelmente um reflexo daquilo que chamam de diferentes tipos de inteligência), mas concordo que sem esforço/prática a tendência é o talento ficar estagnado ou mesmo ‘atrofiar’. Também acredito que uma pessoa que não se considere dotada de talento pra uma atividade possa, se esforçando, evoluir de tal forma a fazer um trabalho melhor do que outra que se sinta talentosa mas que não se esforce para se desenvolver.

 Uma infância fazendo arte

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Uma Lilazinha de 6 ou 7 anos. :)

Desde quando eu me lembro, já gostava muito (muito mesmo) de desenhar e pintar! Era aquela criança que sempre está cheia de papéis, 1000 canetas, lápis e etc. e os leva pra tudo quanto é lado. Algumas das minhas brincadeiras favoritas eram desenhar bonequinhas de papel com as minhas primas (modéstia a parte, fazia as minhas e elas me pediam pra fazer as delas)  e pintar os ‘para colorir’ no Almanacão da Turma da Mônica. :)

Entre meus temas recorrentes para desenhos estavam ~~lindas princesas~~, inspiradas pelas animações que mais gostava na época, como A Bela e a Fera! Também gostava muito de desenhar roupas que eu inventava, talvez inspirada pelos figurinos da Xuxa, minha rainha ídola da 1ª infância (sim! Ahahaha!). Curtia tanto isso que minha mãe reproduzia as poses de modelos de revista – com papel carbono – para criar manequins que eu pudesse  vestir! (Obrigada, mãe! Você é demais! <3)

Lá pelos meus 7, 8 anos,  ela (minha mãe) pintava telas a óleo como hobbie e gostava especialmente de pintar paisagens. Algumas vezes eu pedia uma das telas em branco para tentar imitá-la. :) Porém, lembro de ficar extremamente frustrada, pois não conseguia dosar a quantidade de tinta e sempre acabava com a uma ‘paisagem’ horrível. </3  Minhas tentativas de pintar terra, resultavam em algo que parecia puro barro na tela. No lugar de um céu mais realista com nuances e degradê, que admirava tanto nos quadros da minha mãe, só conseguia manchar a tela de azul escuro. :P

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Curso de desenho e pintura: Uma coleção de puro <3 em 12 volumes!

Mais ou menos nessa época, minha mãe comprou uma coleção de livros da Editora Globo, que eram vendidos em banca de jornal, chamada Curso de desenho e Pintura. É uma coleção bem legal que trata de várias técnicas <3 e eu era totalmente fascinada por ela! (Folheava esses livros quase que diariamente por muito tempo!) Também os usava como prancheta, o que não deixava minha mãe lá muito feliz, já que eu marcava todas capas com a pressão que eu fazia ao desenhar. :P

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‘Estojão’, melhor prêmio que uma criança ~~artista~~ dos anos 90 poderia querer! (Imagem: ebay)

Outra lembrança bacana que tenho dessa época, é de uma vez ter ganho o 2º lugar num concurso de desenho promovido pela locadora (de vídeos) que a minha família frequentava. O prêmio? Um ‘estojão’! <3

Adolescente – entre estudos e experimentos! :)

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Miyazawa Yukino – Protagonista de Kare Kano, um nos meus animes e mangás favoritos! (2001)

Quando eu era adolescente, animes e mangás começaram a ser mais populares no Brasil! Eu lia e assistia muitos na época e me apaixonei definitivamente pela forma japonesa (poética e divertida!) de contar histórias! Passei a tentar copiar e criar personagens nesse estilo!

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Algumas das revistas que encontrei por aqui! (Minha irmã ainda tem muitas guardadas) :)

Nessa época, além das histórias em si, eram vendidas umas revistas chamadas Desenhe e Publique Mangá e Curso Básico de Desenho e eu as consumia, buscando aperfeiçoar meu desenho, principalmente no estilo japa! :P O que eu mais gostava nessas revistas eram os exercícios de desenho que elas propunham. Ensinavam a desenhar diferentes tipos de olhos, cabelos, como proporcionar os corpos dos personagens e coisas do tipo. :)

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Desenho de uma foto de minha amiga Paula, colega de aulas de desenho e pintura (2003).
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Uma das minhas 1ªs pinturas (reproduzia uma foto) e mais tarde quando minha criatividade era azul. :P

Lá pelos meus 15, 16 anos, comecei a ter aulas de desenho e pintura a óleo com um professor particular que dava aulas para mim e uma das minhas melhores amigas. A princípio, aprendemos técnicas para fazer desenhos de observação, ‘reproduzindo’ naturezas mortas e fotos. Repetimos o mesmo tipo de exercícios utilizando tinta a óleo. Mais tarde passamos a experimentar o material de forma mais criativa e menos ‘reprodutiva’.

Os principais aprendizados que tive nessas aulas e que levei pra vida  foram: como observar os objetos para retratá-los e a lidar com tintas e cores, superando um bocado daquela minha frustração da infância! :)

Nessa fase, além de desenhar sempre nos meus cadernos em todas as aulas do colégio (quem nunca?) , das aulas particulares de desenho e pintura e das aulas de artes do ensino médio, gostava muito das aulas de literatura. <3 Também comecei a prestar mais atenção em cinema e curtir filmes diferentes e poéticos. Lembro da 1ª vez que assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, sentada na pontinha do sofá de casa. Tive uma sensação muito forte de que queria fazer aquilo da minha vida. Não é que eu quisesse estudar cinema nem nada assim… mas um dia eu queria fazer coisas tão bonitas! :) <3

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Estilo, kd?

Desde essa época, passei a tentar desenhar e pintar de forma um pouco mais pessoal. Deixei de tentar reproduzir o estilo mangá para tentar desenvolver meu próprio estilo e a fazer experimentos com mais materiais. :)


Espero que você  tenha gostado dessa 1ª parte da minha retrospectiva!

O próximo post, mais ricamente ilustrado com meus desenhos (prometo!), será sobre minha relação com desenho/pintura/ilustração/… – entre minha entrada na faculdade e até o momento. Vai ser massa compartilhar um pouco disso na próxima semana! :)

Até! :)

Lila

Veja também:

  • Franklin Oliveira

    Parabéns! Lila.
    Lindo post, adorei relembrar, com você, esta fase de sua vida

  • Também gostei de relembrar! Obrigada pelo prestígio do comentário (e pela participação em todas essas fases)! :) <3

  • Ah, que fofo *-*
    É tão bacana olhar para o passado e ver o nosso crescimento, né? Costumo fazer isso quando acho que está tudo ruim. Pena não ter tantos trabalhos assim, a maioria se perdeu com o tempo.
    Bjs :*

  • Poxa, Lidy, q pena! Pelo menos o blog te ajuda a ter um arquivo das suas coisas dos últimos anos, né? :) Ao mesmo tempo que é gostoso ver nossa evolução, tive bastante dificuldade pra selecionar desenhos dos últimos 12 anos pro próximo post. É tanta variedade que confesso que me causou incomodo fazer post a respeito. Fiquei me sentindo meio louca. :p

  • Que lindo! Adorei ver sua evolução. Posts assim são ótimos pra mim, pois comecei a desenhar a pouco, e são um incentivo ;)

  • Oi, Marianita! Que bom que gostou!!! Realmente pode ser um grande estímulo ver esse tipo de coisa… Os resultados tendem a mudar muito com a prática e reflexão. No post que deve sair domingo, acho que será perceptível uma evolução mais visível… depois que comecei a estudar mais focada. Obrigada pela visita e comentário! :) :*

  • Marly

    Fui relembrada de coisas que já estavam meio esquecidas, rsrs. Acho legal demais a pessoa poder perceber que tem melhorado no que faz. Li uma entrevista do escritor Stephen King, um tempo atrás – Parênteses – ele já havia vendido milhões de livros – em que ele dizia que estava feliz por ter – finalmente – conseguido contar uma estória do jeito que sempre desejara, mas que até então não pudera, porque ainda não tinha “chegado lá”. Ele estava falando do último livro que escrevera. Gostei do post! :)

  • Que bom ver um comentário seu por aqui! São muitas lembranças boas, né mãe?! E pode ver que você apareceu bastante nessa história aqui! :) Interessante sobre o Stephen King! Realmente, por mais que a gente fique feliz com as conquistas e evolução, ainda podemos evoluir demais até chegar onde realmente sonhamos… Besos!

  • Laiany Pauda

    Que lindo! Desde que ando mergulhando nos estudos tenho relembrado coisas da infância que nunca vinham mais a minha mente até então! Esse estojo também era meu desejo *-* nos anos 90! =D Beijos

  • Oi, Laiany! Relembrar é viver, né? O Decola também me ajudou muito nessa parte! :) Obrigada pela visita e comentários e seja sempre bem vinda! ;)

  • Meu deuuussss me deu nostalgia agora: minha mãe me deu esses livros de curso de desenho e pintura – mas eu gostava só do primeiro, de desenho, pq era meio que meu lance na infância hahaha

  • e meu deuuuusss o estojão <3 que saudadeeeeeee

  • Ahaha! Sdds dessa época! Pra mim era super mágico os livros de pintura. :) <3

  • Ostentação de materiais no século 20. XDDD